ágoraA Ágora era um espaço aberto que existiu em várias cidades da Antiguidade, tendo atingido a sua maior expressão em Atenas. Ocorriam aí os mais variados encontros entre cidadãos que desenvolviam diversas atividades, nomeadamente política, filosofia, comércio, artes.

A cidade encontra as artes como forma de se valorizar ou para protestar. Por sua vez, as artes encontram a cidade como meio para fortalecer a relação entre artistas e para estimular a inspiração e a inovação através do pensamento crítico e do debate, tal como na antiga Ágora.

O declínio da cidade ‘moderna’ associado ao neoliberalismo desafia o direito à cidade. Em alguns casos, as respostas ­ como as provenientes de artes ­ também são, em si mesmas, ameaças ao direito à cidade, contribuindo para a erosão do senso comum e do interesse colectivo.
O objectivo fundamental deste projeto é saber como é que, em contexto de crise, as várias resistências e as alternativas que propõem têm lugar na cidade através das artes e dos artistas. De que modo essas transformações, privilegiando a justiça social e a criatividade, podem promover novas urbanidades.

O contributo das artes para a transformação da cidade é resultado de uma tensão entre visões hegemónicas e resistência, onde a primeira está ligada à mercantilização e à competitividade das cidades e a segunda à reflexividade, aos impulsos críticos e disruptivos que parecem surgir numa ampla gama de expressões da arte contemporânea. Assim, é relevante compreender até que ponto as dinâmicas artísticas estão ligadas às tensões entre as forças do mercado, os poderes políticos e a recusa do modelo neoliberal, particularmente na metrópole de Lisboa.

Os objetivos específicos do projeto estão focados em 3 tópicos, desenvolvidos no plano de investigação e métodos:
Tópico 1 ­ Perceber as transformações das cidades, nomeadamente o incremento de um espaço público cada vez mais regulado, controlado e vigiado e as consequentes resistências e alternativas à mudança; Tópico 2 ­ Identificar e compreender os espaços urbanos que potencialmente atraem artistas e instituições ligadas às artes. Tópico 3 ­ Entender de que modo a recente crise e as políticas de austeridade ameaçaram a criação/produção artística e como é que esta reagiu e reage no tempo e no espaço urbano.

Os resultados do projeto visam contribuir para:
(i) o desenvolvimento teórico e metodológico, nos campos mencionados, tendo por base uma visão da ciência crítica;
(ii) a análise dos impactos das atividades artísticas na criação de novas urbanidades;
(iii) a elaboração de cartografia e infografia que apresentem os resultados através de um atlas, de um guia e de uma exposição (fotografia, vídeo e realidade aumentada); (iv) duas aplicações computacionais, uma plataforma interativa sobre artistas e artes e uma aplicação de ‘realidade aumentada’ relacionada com os trajetos urbanos ligados às artes, incluindo percursos literários;
(v) o desenvolvimento de um exercício de benchmarking sobre as capitais dos países europeus especialmente afetados pela crise (Lisboa, Atenas, Madrid e Dublin);
(vi) a elaboração de orientações de política urbana.

A metodologia adotada combina métodos quantitativos e qualitativos. Os primeiros, incluem a análise de dados estatísticos, disponibilizados por várias instituições portuguesas e europeias sobre a relação entre a cidade e as artes, nomeadamente nas áreas da produção e do consumo. Os métodos qualitativos implicam o cruzamento de diversos instrumentos metodológicos: questionários e entrevistas com artistas e agentes culturais que promovem a arte na cidade; análise dos curricula dos artistas através da vasta gama de informações disponíveis online; análise e mapeamento de obras literárias sobre a metrópole de Lisboa; desenvolvimento de estudos de caso (‘cenas artístico-culturais’) na Área Metropolitana de Lisboa) a passar por processos de significativa transformação. Em um dos estudos de caso será criado um laboratório urbano (Urban Living Labs), onde será desenvolvida uma investigação-ação baseada na co-produção de conhecimentos (em conjunto com agentes locais) para chegar a resultados passíveis de serem postos em prática e avaliados.

Esta pesquisa dá continuidade ao trabalho desenvolvido em projetos de investigação anteriores coordenados pela IP em colaboração com vários membros da equipa atual, nomeadamente, LINKS (FCT­2004­2007), KATARSIS (CE / FP6), SOCIAL POLIS (CE / FP7), RUCAS (FCT 2009­2014). Nos projetos europeus, a equipa portuguesa era Lead Partner. No tema do projeto atual, temos também desenvolvido estudos sobre a ‘Criatividade na Região de Lisboa’ (Comissão de Coordenação para o Desenvolvimento Regional – CCDR ­ Lisboa, 2011­2013) e sobre ‘Os fundos estruturais aplicados ao sector cultural’ (Secretário de Estado da Cultura, 2013­2014).

A equipa do projeto (PTDC/ATP­GEO/3208/2014) é atualmente constituída por Ana Estevens (coord.), Agustín 
Cócola Gant,
 Ana Moutinho,
 Aquilino Machado, Daniel Paiva, 
Eduardo Brito­ Henriques, 
João Sarmento, 
Leandro Gabriel, 
André Carmo, 
Mariana Gaspar
e Miguel Santos.

A Universidade Lusófona é parceira do projeto, responsável pela realização de uma aplicação de realidade aumentada, tarefa coordenada por Ana Moutinho.

O orçamento total do projeto é de 154 949 €.

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