Decorreu entre os dias 17 de Julho e 5 de Agosto a campanha de investigação do projeto Nunataryuk (www.nunataryuk.org) na costa do Mar de Beaufort, no Ártico canadiano, que contou com a participação de Gonçalo Vieira (CEG/IGOT) e de Pedro Pina (CERENA/IST).
A campanha incidiu na realização de levantamentos fotográficos com veículos aéreos não-tripulados para cartografia de muito alta resolução, em três áreas principais:
– Megadeslizamentos retrogessivos associados à fusão do permafrost em Herschel Island;
– Erosão costeira ao longo de cerca de 150 km desde a fronteira do Alasca até ao Delta do Mackenzie, centrada em sítios de monitorização de longo-prazo do Geological Survey of Canada;
– Vila de Tuktotayuk e área costeira envolvente. 
 Os trabalhos realizados geraram mais de 15 mil fotografias aéreas de muito alta-resolução que permitirão, pela 1ª vez, uma cartografia detalhada deste setor da costa do Ártico, onde as taxas de erosão associadas à degradação do permafrost são muito elevadas. A erosão do permafrost costeiro do Ártico é especialmente importante, pois trata-se de solo muito rico em carbono orgânico e contaminantes, que assim são transferidos em taxa acelerada para os ambientes costeiro e atmosférico, com consequências ainda pouco conhecidas. A erosão costeira no Ártico está também a gerar problemas importantes nas povoações índigenas, com perdas de infraestrutura, mas também de sítios arqueológicos. O projeto Nunataryuk conta com o envolvimento de vários representantes das comunidades locais, de modo que melhor se proceda à aplicação do conhecimento científico e que os cientistas aprendam também com o conhecimento tradicional e com a experiência de quem melhor conhece o território.
Os trabalhos de campo foram realizados em colaboração com o Alfred Wegener Institute, que coordena o projeto, e com o Geological Survey of Canada.
O IGOT coordena a participação portuguesa no Nunataryuk, que tem como responsabilidade principal a realização de cartografia de alta resolução da costa do Ártico, em especial do norte do Yukon e dos Territórios do Noroeste. Estes trabalhos baseiam-se em lentamentos no terreno, mas também na análise de imagens de satélite de alta resolução óticas e de micro-ondas. A equipa da Universidade de Lisboa é ainda composta por Carla Mora e Pedro Freitas (CEG/IGOT) que trabalham na área da deteção remota e João Canário (CQE/IST), responsável pela análise química de amostras de permafrost.
O CEG/IGOT agradece ao Polar Space Task Group (WMO) pelo apoio na obtenção de novos levantamentos Pleiades e apoio na obtenção de novos levantamentos TerraSAR-X (DLR).
O CEG/IGOT tem atualmente os seguintes projetos polares em curso:
– Programa Polar Português (FCT);
– Nunataryuk – Permafrost thaw and the changing Arctic coast, science for socioeconomic adaptation (H2020);
– EU-PolarNet – Connecting science with society. CSA H2020. 2015-2020. Co-task leader.
– GlobPermafrost – A service for permafrost monitoring (European Space Agency).
– THAWPOND – Remote sensing analysis of vegetation and thaw pond colour dynamics at the tundra-forest zone (PROPOLAR-FCT)
– PERMANTAR 2018-19 – Permafrost and Climate Change in the Antarctic Peninsula (PROPOLAR-FCT).
Neste quadro, o CEG/IGOT envolve todos os anos estudantes de mestrado e doutoramento nas suas campanhas no Ártico e na Antártida, devendo ser anunciadas novas oportunidades no final do mês de Setembro.
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